sábado, 8 de agosto de 2009

Cavalas com molho-de-vilão e o «Pé-de-Cabra»


Como ficara combinado entre nós, durante o anterior passeio, fomos a casa dos amigos Lino e Rubina, na terça-feira, almoçar milho cozido e cavalas com molho-de-vilão. O milho cozido, feito pela empregada do casal, estava muito saboroso e macio. As cavalas com molho-de-vilão, feitas por mim, chegaram ainda fumegantes e a exalar o cheiro a orégãos do molho. O vinho era uma «pomada» de dar estalo.
Para além do casal Lino e de nós os quatro, eu, a Rosinha, minha irmã e o Florentino, também almoçaram a empregada e dois filhos dos anfitriões, um jovem casal muito simpático que mais tarde teve de ausentar-se.
Depois do almoço, fomos tomar café ao Largo das Babosas e passear até ao Largo da Fonte, de onde subimos à igreja do Monte.
No dia seguinte, foi a vez de o casal Lino vir jantar connosco rancho à minhota, que o nosso amigo gosta e não comia desde os tempos da tropa. Ficou muito bom. Para quem quiser experimentar, aqui vai o endereço da receita do site «Gastronomias».
Na segunda-feira, dia 20, à tarde, o amigo Lino levou-nos a passear a Câmara de Lobos, onde as senhoras tomaram «niquita» e os homens «imperial» com tremoços e amendoins. Depois, desafiou-nos para um «pé-de-cabra», na Lombada, em São Martinho, onde, numa antiga mercearia com uma pequena esplanada, está um dos bares mais rendíveis da Madeira, com esta especialidade. Já lá tínhamos estado, dias antes, levados por ele, eu e o Florentino, a tomar aquela bebida cremosa feita com pó de chocolate – muito pouca quantidade –, açúcar, cerveja preta, vinho abafado, limão e gelo, tudo batido muito bem com a varinha mágica ou no copo da trituradora. Bebe-se – com cuidado, a partir de três começa a «trepar» –, acompanhado de muitos amendoins e tremoços, cuja combinação é perfeita. É uma delícia. Experimentem!
Vejam aqui, em bares, a foto e o anúncio da casa. Se lá forem, dêm cumprimentos meus ao senhor Carlos e digam que vão da minha parte ou do senhor Lino. Vão ver o sorriso com que serão recebidos e servidos!

Pintura a óleo do Ivo


O Ivo é um pintor, autodidacta, que pinta lindos quadros e os oferece aos amigos, como nós, que lhe fomos dar um abraço e entregar outro da Manuela, sua cunhada e nossa vizinha do prédio e amiga. Dados os abraços, o amigo Ivo saltou para cima de um banco e de uma parede da sua loja de ervanária – Ervanária do Bom Pastor, na Rua do Anadia –, tirou um dos quadro expostos, autografou-o, «Oferta aos meus Amigos José Luís e esposa», embalou-o e com a genuína expontaneidade com que sempre o conhecemos, desde há cinquenta anos, deu-nos, dizendo: «Este é para vocês levarem.» Fiquei sem palavras, pela inesperada oferta. Obrigado, amigo Ivo!
A obra, a óleo, com as dimensões de 80 x 46 cm, retrata o movimentado Largo do Phelps e a Sé do Funchal, vistos do Bazar do Povo, na Rua dos Ferreiros. É lindo! Tem uma textura e cores formidáveis!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O Rabaçal, o Risco e as 25 Fontes




Genuínos apreciadores das belezas naturais da nossa ilha, os caminheiros estrangeiros que há mais de um século visitam a Madeira colocaram-na nos mapas naturistas e turísticos mundiais. Pode dizer-se igualmente que foram eles, principalmente os ingleses, que descobriram as belezas da Madeira e lhes deram valor nas suas deambulações solitárias pelas levadas, veredas e caminhos rurais da ilha, divulgando depois essas belezas através de pinturas, litografias, postais, fotografias e documentários cinematográficos que facilmente hoje encontramos na internet. Ainda nos anos 50 do século passado eram encarados como pessoas excêntricas, amalucadas, os turistas que a pé calcorreavam os picos e subiam ou desciam os vales com as mochilas às costas, bem agasalhados, botas grossas e bordões nas mãos, ou de chapéu de palha, peito ao léu, calções e de sandálias. À parte os pastores, lenhadores, camponeses, grupos escotistas e de estudantes do secundário, poucos citadinos caminhavam pelos trilhos e levadas que serpenteiam a serra madeirense. Faziam-se excursões de camioneta para ir à «neve», quando caía muito granizo na serra, acima do Poiso ou no Areeiro, e ao Chão dos Louros, Prazeres, Queimadas e outros aprazíveis lugares do «campo», no Verão. De resto, só com o desenvolvimento económico e cultural dos anos 60 e, sobretudo, com a expansão do automóvel nos anos 70, os citadinos começaram a subir à serra mais vezes, aparecendo então grupos da elite funchalense e jovens estudantes a defenderem a natureza, e famílias a fazerem os piqueniques com as novas condições então criadas. Mas, a percorrer veredas e levadas, como prática naturista, creio que ainda hoje são turistas estrangeiros a maioria dos caminheiros que se atravem a tais aventuras durante todo o ano. Tive agora conhecimento, através da net, da existência do Club Pés Livres, que organiza regularmente caminhadas. Excelente. Vejam o seu blogue aqui.
Tinha uns 6 ou 7 anos e andava na Escola do Caseiro (1950/51), quando fui aos Tornos, integrado num grupo de miúdos levados pelo padre Mário, italiano do Seminário dos Missionários, que «paroquiava» a zona. Estavam então a fazer-se os primeiros trabalhos de captação de água no furado dos Tornos. Mais tarde, quis voltar lá, quando tinha 15 anos e namorava com a Rosinha, mas não passámos da ponte da ribeira. As raparigas tiveram medo de atravessá-la, porque haviam desmanchado os muros da ponte para dar espaço à passagem de jipes e não voltaram a refazê-los.
Sabedores de que a Rosinha e eu não conhecíamos o Rabaçal – só tinha visto fotos e litografias – os casais Edite-Fernando e Mercês-Zé Gregório organizaram um passeio, no sábado, 18, ao Paul da Serra, de onde se desce para a casa do Rabaçal e dali para as famosas fontes. Também foram a Gorete, o Vítor Hugo, filho da Mercês e do Zé, e a Fabíola, sua namorada.
O grupo partiu, ao princípio da manhã, do Livramento, no novíssimo automóvel do Fernando, um Audi A3, e no Micra da Mercês. Na esplanada da praia da Ribeira Brava tomámos café e na subida para a Encumeada bebemos poncha e tirámos fotos. Já no alto, nos Vinháticos, voltámos a parar para apreciar a paisagem e fotografar. Mais adiante, no caminho do Paul da Serra, parámos, desta feita para fotos da deslumbrante mancha de laurissilva e do nevoeiro branco que dela se desprendia, subindo a montanha, formando um mar de nuvens imaculado abaixo do Pico do Areeiro, ali tão perto, à nossa frente.
No planalto do Paul da Serra, mais propriamente no Bico da Cana, parámos para almoçar, que o ar da serra dá fome. Um guisado de carne da alcatra, com legumes e caldo saborosos, e arroz branco, que a Edite e o Fernando haviam preparado e que ainda fumegava, vinho tinto que eu distribuía, e pão e fruta que a Mercês se encarregava que não nos faltasse. No final, alegres e bem-dispostos, fomos tomar café, mais adiante uns dois quilómetros, perto do local de onde se desce para o Rabaçal, a 1290 metros de altitude.
Chegada uma das duas carrinhas Ford Transit da empresa municipal Solcalheta, que constantemente fazem a travessia, comprados os bilhetes de ida e volta por cinco euros cada passageiro, lá descemos para a Casa do Rabaçal, a 1160 metros de altitude, durante vinte minutos, por um caminho que serpenteia o vale com muitas ravinas.
Já na Casa do Rabaçal, onde um grupo de turistas aguardava para subir, seguimos a tabuleta que indicava o percurso de 1,2 quilómetros para o Risco, a 1000 metros de altitude, descendo por degraus feitos de terra, pedras e troncos, algo incómodos para «cotas», e seguindo depois por uma linda vereda ladeada dos dois lados por densa floresta e por uma levada, à direita, alimentada por água que escorria da barreira, à direita, e das folhas das plantas de laurissilva. Finalmente chegámos ao Risco. O famoso Risco é uma queda de água que desce da lagoa de Ana Beja, a uns 70 metros acima, para a lagoa do Vento, a meio, e desta para um ribeiro que dá curso à água. Existe no local um largo amurado de bancos e, perto, um túnel que está fechado por um gradeamento, talvez por motivo de segurança.
Devido ao cansaço que sentia no coração, onde já estão alojados dois «stents», talvez provocado pelo ar rarefeito, menos denso, da altitude, que me fazia atrasar em relação aos companheiros, como precaução e acordo de todos, fiquei-me, com grande pena, pelo Risco. Eles lá continuaram e abaixo está o «link» para poderem ver as fotos da aventura de mais 2,5 quilómetros a descer para a altitude de 970 metros e depois subir.
Passado algum tempo, depois de um telefonema ao Fernando, a comunicar que iria voltar para trás, devagarinho, comecei a subir para a Casa do Rabaçal. Mantive-me por ali perto, a apreciar os pássaros, já habituados à presença humana, e depois meti conversa com o vigilante do Rabaçal. Foi ele que me indicou o bisbis, o papinha ou papinho, o tintilhão, este último muito social, aproxima-se das pessoas, e, segundo o vigilante, pela manhã, é capaz de vir comer à mão. Entretanto, os nossos conhecidos melros, desconfiados, valendo-se do tamanho, roubavam comida aos outros pássaros, que fugiam… Foi ainda o vigilante quem me disse das suas funções no Rabaçal e das obras que estavam a decorrer no interior da casa, agora deserta, onde, normalmente, pelo preço simbólico de dez euros cada, se pode pernoitar em quartos de três camas e utilizar a cozinha e a sala colectivas. Falámos ainda sobre o já famoso teleférico que o Governo Regional e a autarquia calhetense querem construir do Paul da Serra para o Rabaçal, o Risco e as 25 Fontes.
Já agora, quero confidenciar-lhes uma coisa que me veio à lembrança, enquanto esperava: há tempos, assinei, na internet, uma petição contra a construção deste teleférico. Hoje, tendo experimentado as dificuldades da descida ao Rabaçal e ao Risco, não assinaria o abaixo-assinado. Entendo que, em comparação com o impacte ambiental e a intromissão na vida privada dos quintais dos moradores por onde passa o teleférico do Monte, o impacte ambiental no Rabaçal será insignificante. Como é o do Jardim Botânico-Babosas. Quanto à floresta de laurissilva, ela não se «queixará», porque é grande, de lhe tirarem os metros quadrados de terreno necesssários para as torres e as estações, que acabará mais tarde por «abraçar», ou dos cabos e das cabinas lá no alto. Pelo contrário, será mais bem apreciada esta jóia da Calheta que quis ser património mundial. Não lhe façam outros males maiores. As belezas do Rabaçal, do Risco e das 25 Fontes devem ser conhecidas da população mundial, em conformidade com o estatuto que alcançaram da UNESCO. Todos têm o direito de as admirar, caminhando, ou, tendo patologias que não o permitam ou por outra razão de locomoção, vê-las, sentados, dentro de cabinas, desde que sejam protegidas a frondosa floresta e a sua fauna, e não haja negociatas que procurem o lucro fácil. O egoísmo fundamentalista não tem em conta o interesse pela natureza de uma parte da população, os idosos e os doentes.
Ao fim de duas horas e meia, eis que os meus companheiros foram aparecendo aos poucos. Cansados e de respiração ofegante, naturalmente. Segundo a Rosinha, afogueada, eram lindas as 25 Fontes, tinha gostado muito, mas não era para repetir a aventura… Na próxima carrinha, subimos ao Paul da Serra, onde começava a chover.
Seguimos para a Santa e para o Porto do Moniz, com melhoria do tempo, Ribeira da Janela, onde lanchámos e brincámos, e depois, com poucas paragens, para o Seixal, São Vicente, Rosário, onde atravessámos o túnel, já em velocidade de cruzeiro, para a Serra d’Água e Ribeira Brava, e nos dirigimos, rapidamente, para o Funchal.
Aos nossos grandes amigos, os nossos agradecimentos pelo prazer que nos deram de conhecermos as belezas que não conhecíamos e pelo divertimento e a aventura que tivemos. Abraços!
Para verem as fotos do passeio entrem aqui, coloquem os caracteres e façam download.


São João tardio no Lombo


Sermos convidados do casal Maria José-José António Figueira é uma honra que eu e a Rosinha temos recebido, há vários anos, durante as nossas estadas na Madeira. Mais uma vez, este ano, nós e um grupo de amigos comuns fomos acolhidos por eles e pelo filho Marco na sua residência, no Lombo – de onde se tem uma das mais belas vistas sobre o Funchal e a baía –, no passado dia 21, com a permanente simpatia e singeleza no trato naturais nesta família.
À chegada, a Maria José e o José António deram a conhecer aos amigos as novas obras de alteração efectuadas no interior e no exterior da sua casa, onde estão bem patentes o engenho e o conforto acolhedor da nova arquitectura, a boa qualidade dos materiais e da mão-de-obra, e, essencialmente, o bom-gosto do casal na concretização de um sonho antigo.
A seguir, já servidos de um tinto Quinta da Bacalhoa de grande qualidade, o amigo José António levou-nos a percorrer a sua bem cuidada horta, onde crescem tenerifas (abóboras, para quem não saiba), ervas de cheiro e lindas alfaces, entre outros produtos naturais.
No quintal, onde prevalecem na boa vida de cão o velho e cansado «Vilarinho» e a jovem e irrequieta «Sueca», brincava com os animais e a avó materna o pequenito Pedro, neto dos donos da casa, enquanto o Marco, pai do pequenito, tratava do braseiro num bem estudado e funcional «barbecue», e o José António assava sardinhas e servia-nos, porque não queria que nos faltasse nada. Entretanto, vinda do emprego, chegou a esposa do Marco e mãe do Pedro, que a todos cumprimentou com simpatia.
Entretanto, ouviu-se música clássica, dançou-se ao som de boa música moderna, tiraram-se fotos, conversou-se, bebeu-se bastante e comeu-se melhor de umas ricas sardinhas assadas e de um atum do São João divinal, com o acompanhamento regional das semilhas, das batatas cozidas, do feijão, da cebola cozida, da abóbora-menina e da popular e tenra pimpinela da horta caseira.
Vejam aqui as fotos do convívio.
Ao casal Maria José-José António, mais uma vez os nossos agradecimentos, com votos de muita saúde e felicidade, extensíveis a toda a família.

Convívios familiares e com amigos

Poucos dias depois de ter chegado à Madeira, participámos num convívio familiar em casa do irmão da Rosinha, o José Manuel, onde a esposa, Manuela, e as nossas sobrinhas Nélia e Telma, e o marido desta última, Nélio, nos brindaram com um delicioso churrasco de carnes.
Lá estava o pequeno Daniel, filho da Telma, e ficámos a conhecer, a Ana, filha da Nélia e do Jorge, uma bebé de 2 anos, muito espertalhona e amiga do avô, a quem despendia carinhos sem fim.
Igualmente, no domingo, dia 19, fizemos um churrasco em casa de minha irmã Conceição. Os assadores de serviço foram o Florentino e o Caetano, marido da Dina, minha sobrinha, e estiveram também presentes o casal Lino, a Susana, outra sobrinha, e os filhos desta, a Joana e o Pedro, e o Fábio, neto do Florentino.
Várias vezes também, por convites na hora, almoçámos e jantámos com o casal Zé- Mercês, tanto em casa deles como em casa da Conceição.
Ainda com o Dírio e a Urânia fomos, um dia à noite, a Câmara de Lobos, onde nos brindaram com uma saborosa espetada num restaurante do Caminho do Pico.
Foram momentos que nos sensibilizaram muito e que agradecemos. Incompreensivelmente, não tenho fotos dos convívios com estes familiares e amigos. A todos e a todas, as minhas desculpas.

São João tardio no Lombo


Sermos convidados do casal Maria José-José António Figueira é uma honra que eu e a Rosinha temos recebido, há vários anos, durante as nossas estadas na Madeira. Mais uma vez, este ano, nós e um grupo de amigos comuns fomos acolhidos por eles e pelo filho Marco na sua residência, no Lombo – de onde se tem uma das mais belas vistas sobre o Funchal e a baía –, no passado dia 21, com a permanente simpatia e singeleza no trato naturais nesta família.
À chegada, a Maria José e o José António deram a conhecer aos amigos as novas obras de alteração efectuadas no interior e no exterior da sua casa, onde estão bem patentes o engenho e o conforto acolhedor da nova arquitectura, a boa qualidade dos materiais e da mão-de-obra, e, essencialmente, o bom-gosto do casal na concretização de um sonho antigo.
A seguir, já servidos de um tinto Quinta da Bacalhoa de grande qualidade, o amigo José António levou-nos a percorrer a sua bem cuidada horta, onde crescem tenerifas (abóboras, para quem não saiba), ervas de cheiro e lindas alfaces, entre outros produtos naturais.
No quintal, onde prevalecem na boa vida de cão o velho e cansado «Vilarinho» e a jovem e irrequieta «Sueca», brincava com os animais e a avó materna o pequenito Pedro, neto dos donos da casa, enquanto o Marco, pai do pequenito, tratava do braseiro num bem estudado e funcional «barbecue», e o José António assava sardinhas e servia-nos, porque não queria que nos faltasse nada. Entretanto, vinda do emprego, chegou a esposa do Marco e mãe do Pedro, que a todos cumprimentou com simpatia.
Entretanto, ouviu-se música clássica, dançou-se ao som de boa música moderna, tiraram-se fotos, conversou-se, bebeu-se bastante e comeu-se melhor de umas ricas sardinhas assadas e de um atum do São João divinal, com o acompanhamento regional das semilhas, das batatas cozidas, do feijão, da cebola cozida, da abóbora-menina e da popular e tenra pimpinela da horta caseira.
Vejam aqui as fotos do convívio.
Ao casal Maria José-José António, mais uma vez os nossos agradecimentos, com votos de muita saúde e felicidade, extensíveis a toda a família.

sábado, 1 de agosto de 2009

Com o Zé Eduardo, na Levada do Cavalo

O Zé Eduardo foi o companheiro de escola e de profissão que, certo dia, há quarenta e um anos, estando nós a trabalhar no «Jornal da Madeira», me desafiou, segredando, a vir com ele trabalhar no jornal «O Século», que na altura precisava de compositores mecânicos. Olhei para ele, incrédulo… Oito dias depois, deixando o coração e a Rosinha na Madeira, desembarcava do paquete «Funchal» em Lisboa. Corria o mês de Junho de 1968.
Trabalhámos juntos no «Século», «Diário da Manhã» e na «Capital». Juntos também participámos, nas lutas sindicais contra as direcções dos sindicatos fascistas, no Sindicato dos Gráficos, e em reuniões clandestinas que já se faziam em 1969 e que foram embrião da CGTP, e militámos na Base FUT, organização anarco sindicalista dirigida por sindicalistas e militantes ligados à Igreja Católica, onde o Padre Jardim era uma das figuras tutelares. Nunca virou a cara a uma boa discussão política, como eu. Eram renhidas e intermináveis as discussões que se faziam sobre a guerra colonial e outras políticas com os amigos estudantes, como o Dírio, e tropas, como o Zé Gregório, que passavam o fim-de-semana cá em casa com as namoradas, a Gorete e a Mercês. Depois do 25 de Abril, com a Revolução e a oferta política, cada um foi para o seu lado. Eu para a política partidária maoísta, ele continuou anarca como sempre.
Hoje, também reformado, vive na Madeira com a sua Luísa, rodeado de animais, árvores de fruto e constantes projectos, na propriedade de 3000 metros quadrados que herdaram da família dela, na Levada do Cavalo. Um dia destes telefonou-me, pensando que eu estaria em Almada, para lhe arranjar informação da internet sobre a cultura do melão e da melancia. Há um ano, foi sobre as curgetes, mas, parece, não teve êxito a experiência. Agora, com o melão e a melancia, diz que vai ter de meter cal na terra, porque estas culturas precisam de terrenos calcários. É um sonhador este Eduardo… Deixou de fumar e de beber álcool há pouco. Só cerveja sem álcool. Aguenta-te Eduardo… Força. Mais um abraço!


Apostila – Recebi hoje, dia 28 de Outubro, a triste e inesperada notícia do falecimento do Zé Eduardo, vítima de um fulminante tumor. Se, em Julho, já estava doente, não deveria saber a gravidade do mal que tinha, porque os planos eram muitos, e a Luísa nada nos disse num telefonema que fizemos pouco depois. Faleceu um lutador, um idealista. Honra à sua memória! À Luísa e aos filhos, sentidos pêsames! Até um dia, Eduardo!

Seguidores